o poema caleidoscópico

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pode ser que é teimosia
orgulho ou insegurança
se as palavras fazem dança
vou chamar de poesia
essa obra ainda incompleta
eu já tenho até minha meta
até o fim, vou rimar
do jeito que der pra fazer
sou capaz até de apelar
mas eu faço rimar pra você

eu quero é fazer um palpite
de conselho pode chamar
e azar de quem me critique
de qualquer jeito eu vou dar

aprendi coisa pertinente
pra quem é morador, residente
de cidade apaixonável
que tal qual meu coração
até mesmo no verão
tem o clima meio instável

esse guarda-chuva perdido
encontrou, pode ficar
não pense que foi roubado
talvez foi até esquecido
mas agora que conquistado
dele melhor não largar

contanto que ele queira
vê se não deixa escapar
já fiz muito essa besteira
talvez já esteve comigo
mas escuta bem o que digo
não pense que eu vou voltar

vê se não deixa ir embora
como por vezes já fiz
talvez foi em boa hora
agora que foi achado
talvez até consertado
talvez ele é mais feliz

realize esse meu desejo
e os seus melhores pedidos
deixando bem protegidos
os sorrisos que eu prevejo

achei que era chuvarada
meu desejo era desabar
escuta o barulho, inspirada
é o céu a te agraciar

eu que já tive tantos
ou ao menos escrevi
cantos e desencantos
mas até agora, sorri

desde corações quebrados
assuntos mal resolvidos
plurais mal concordados
amores correspondidos
guada-chuvas achados
trens e ônibus perdidos

se achou o meu antigo
eu te aconselho a cuidar
chegasse aqui, meu amigo
primavera há de chegar

e quanto a esse romance
eu que fui azarão
ou você que teve sorte
a gente perdeu a chance
de virar reconciliação
debaixo de chuva forte

não se atreva a analisar
o poema caleidoscópico
rimar tudo é tão utópico
e a minha mão já fria
logo vai raiar o dia
mas quem pode me julgar?
não importa mais o trópico
aqui chove poesia
quero mesmo é me molhar

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