Limparam os corações pichados no ponto de ônibus

19:00

Limparam os corações pichados no ponto de ônibus e assim acabaram várias das minhas paixões platônicas. Tantos casamentos que terminaram em divórcio ou anulação antes mesmo de serem realizados. Morreram tantos filhos que eu nem tive. As casas foram vendidas. Os cachorros foram doados. Esse emprego que arranjei do outro lado do mundo só pra ficar do teu lado, vou largar. A lua-de-mel foi cancelada, uma pena, pois acho que nossas fotos teriam ficado lindas. Ah, paixões de transporte coletivo. Aquela menina, no metrô, estava com o olhar tão triste. Não quer dividir essa tristeza comigo? Serviria de ombro amigo. Antes, quando havia corações pichados no ponto de ônibus. Agora sou frio. Ah, paixões platônicas. A menina da sala de espera. Como que ela era capaz de ser tão linda? Hoje, já não me encanta. A moça que faz vídeos pro youtube, com covers de músicas que eu gosto. Por que ela parou? Hoje, isso nem importa. Alguém que eu conheci em alguma viagem. Em alguma esquina da vida. Hoje, prefiro não imaginar o nosso futuro. Limparam os corações pichados no ponto de ônibus e assim acabaram várias das minhas paixões platônicas.
Separações tempestuosas. Filhos desparidos. Cachorros doados. E minha mãe, que esqueceu seu nome antes mesmo de ficar sabendo qual era.

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Um menino ligou para alguém e avisou que a polícia estava indo pra lá.
Ele foi minha primeira paixão platônica depois do acidente com os corações.
Ele tirou uma foto, enviou para alguém. Tentou disfarçar, mas eu vi que tinha um sorriso escondido ali. Quem sabe era um romântico, assim como eu.
Na hora de pagar o ônibus, não foi possível esconder que as minhas mãos estavam sujas de tinta vermelha.
Alguém tinha que pintar os corações de volta, não é mesmo?

poesia

plástico bolha

18:30

queria poder enviar
meu amor pelo correio
de tanto que eu anseio
pra que você possa tê-lo
e se precisasse pagar
que fosse o preço de um selo

sei de quem faz coleção
de moeda, selo, coração
likes nas redes sociais
poemas e cartões postais

não quero amor limitado
daqueles encaixotados
se for minha a escolha
nada de plástico bolha
só um aviso: 'cuidado'
e se ele chegar quebrado
a gente lamenta o coitado

queria poder enviar
sentimento por transferência
de tão grande a urgência
de te mostrar meu amor
mas na hora de confirmar
me foi pedido um valor

eu não quero amor taxado
numerado, carimbado
quero-o protegido
sem que seja reduzido

ele fica aqui comigo
já que é a única solução
pois ele não corre perigo
guardado no meu coração

poesia

poema insônia

09:44




















duas horas de choro
não compensam oito de sono
então dorme, menina
pra não ficar com olheira
pra não ter dor nas costas
dorme, menina
dorme menina
descansa a cabeça
tá pensando demais
descansa o coração
tá batendo demais
apanhando também
dorme, menina
dorme pra sonhar
tem coisa ainda na lista
de sonhos não cumpridos
tem abraço e beijo
tem encontro
ainda na lista
então dorme, menina
dorme e sonha
o mundo espera
a lista espera
eu espero

É muito ruim tu comprar algo pra comer?

17:03

Inimigas lamentando minha voz é maravilhosa ! Café daqui meia hora na casa do Victor e Arthur hoje de manhã mas não sei se puxo mais assunto ou não querem xingar a Dilma. Ônibus amarelo é o mesmo babado. Amigos mandem fotos mais conceituais da minha turma que é orelha de gato. Paris das mulheres já é meio velha. Passeio com ascendente em aquário? Luz azul não tenho ânimo pra comer semente do meu aluguel pra pagar. Não consigo separar sexo do sentimento mas eu queria conversar muito, eu que dei moral pra Bruxelas.

Aventuras com o corretor ortopédico na volta da viagem que foi planejada em um café inocente.

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