volta ao mundo

Volta ao mundo Carvoeira sul [sdds Floripa]

19:00

Pois então, Júpiter em escorpião não é tão ruim quanto você pensa, viu? Mas você tem tudo em escorpião, deveria procurar alguém de aquário. Ou talvez gêmeos. Sempre achava que libra combinava com áries mas li em algum lugar que combina mesmo é com peixes. Bom, devia mesmo era procurar alguém pra esquentar esse teu pé. Ô menina pra ter pé gelado, viu? Sabe o que é, é essa meia que me aperta muito. Deveria esquentar, mas tranca a circulação e esfria mais ainda. Então procura uma meia que não te prenda. Que bonito, procura alguém que não te prenda também. Eu sei que você nunca acostumou a usar anel nessa mão gelada. Passa creme, pra não ressecar. Já tirou a bendita meia? Senta aqui. Se encontrar algum lugar, no meio da bagunça. Me explica agora como que a tua melhor amiga é de virgem. Você, libriana com um monte de planetas em escorpião, nascida no hemisfério sul do mundo. Você espera cada primavera como quem espera para nascer. E renasce. Desabrocha. O pai da Mulan disse que a flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e bela de todas. Eu já me contento se conseguir ser rara e bela e desabrochar na adversidade. Então não só pela beleza da palavra, vou começar a chamar os perrengues de adversidades. Saudade é adversidade. Horário, solidão, tristeza, cansaço, ansiedade e stress. Adversidades. Dá um jeito. Te vira. Olha para as árvores, que secam e deixam cair suas folhas durante o frio, mas depois revivem. Frio é adversidade. Até canto let it go, mas a verdade é que o frio always bothered me, anyway. Por isso que acho que devia procurar alguém de touro. Ou quem sabe leão, porque é de fogo. Quais são os outros? Sagitário, serve? Devia mesmo era procurar alguém pra esquentar o meu pé. Mas alguém que não me prenda.
Acho que devia era me encontrar antes de procurar outra pessoa. O problema é que eu estou tão perdida quanto no primeiro dia que cheguei aqui. Nessa cidade, nessa primavera, nesse mundo.
- Desculpa, a senhora sabe se esse ônibus passa na liberdade?

Aqui na cidade onde eu estou morando tem uma praça chamada liberté.

cirrose

A causa foi cirrose hepática. [2]

20:24

Morreu sentada do lado da privada. Falaram que foi de tanto beber. Virou personagem dos conselhos que os pais dão.
- Viram, filhos, por isso que não se deve começar a beber muito jovem.
Disseram que ela bebeu demais, que ela era muito nova pra isso.
Troque seu coração por um fígado, assim você pode beber mais e sofrer menos. Era isso que diziam.
A verdade é que ela sempre foi fraca. Tanto pra bebida quanto pro amor. Um gole já era suficiente. Ficava alterada com pouco. Ficava animada, desnorteada, com voz de bêbada. Apaixonava-se também na mesma velocidade. Ficava alterada com pouco. Ficava animada, desnorteada, com voz de apaixonada. Depois pedia mais.
Gostava de experimentar tudo o que pudesse. Cerveja, vinho, vodca, jurupinga e aquela que tem que tomar com sal e limão. Até bebida azul ela provou. Quanto aos amores, a mesma coisa. Gostava de tudo. Ela era apaixonada por todos ao seu redor e isso era visível. Por isso era tachada de louca. Bêbada e drogada. Piriguete, talvez. Oferecida, dada.
Começou muito cedo, pobrezinha. Aos 15 já tinha se apaixonado perdidamente. Mudou de ideias, cedeu, fez sacrifícios por um amor que não durou. Daí foi ladeira a baixo. A próxima paixão, que deveria reconstruir, só fez destruir ainda mais. Ela era um caso perdido. Cada amor era um precipício. Cada amor era um ataque. Cada amor era um choque. Ela não sabia quando parar.
Acabava parando no bar. Começou cedo. Daí foi ladeira a baixo. A dose seguinte só fez destruir ainda mais. Ela era um caso perdido. Ela não sabia quando parar.
Acabou, por fim, parando no hospital. Disseram que ela deveria tomar bastante água para se hidratar, mas nada hidrata o coração seco. Seu corpo querendo, a todo custo, se livrar daquele amor todo. Que vergonha!
Morreu sentada do lado da privada. Vomitara a noite inteira.

Falaram que foi de tanto beber.
Mas foi de tanto amar.