era um bar

Era uma sala de espera.

21:19

Prometo que esse texto não vai tomar mais tempo de mim do que essa xícara que chá, que tomo na caneca do Corinthians, que era do meu pai, e graças a uma nova chaleira elétrica.
Estava eu em uma das salas de espera do oftalmologista quando vi aquela moça e resolvi perguntar se era naquela sala mesmo que eu deveria esperar. Melhor assim, pois poderia vê-la. Eu estava absolutamente normal e ela toda maravilhosa e doida. Franja pequena, lisa, cabelo claro e óculos redondo. Com uma bolsa feia que só vendo. Eu paguei caro na minha bolsa - gostava da antiga, que ficou velha, e queria outra no mesmo modelo - enquanto ela carrega aquela maleta quadrada feia e continua linda. Li mais alguns textos do livro da Martha Medeiros, que estava na minha bolsa porque na sala de espera não pega internet. Inclusive, desculpa a quem eu não respondi hoje, estava na sala de espera e depois estava com a pupila dilatada demais para responder. Mas o tempo não é esse ainda. Li mais alguns textos enquanto pude e a consulta aconteceu conforme esperado. É a doença do gato. Por isso que eu não gosto deles. Voltei a reencontrar a moça na hora de marcar o retorno. Quando a vi enrolando o baseado ali mesmo no hospital, tive certeza. Pelas minhas contas, essa foi a sétima vez que me apaixonei nessa cidade. Longe de mim banalizar o amor, nada disso, mas alguém que escreve sobre amor não deve perder oportunidades. Na sala de espera do médico da visão, eu só queria que ela percebesse tudo que eu tenho de bom que é invisível. Infelizmente o retorno dela ficou agendado para março e meu para fevereiro.
Outra coincidência terrível do destino foi a aparência do céu quando saí do consultório. Não me leve muito a sério, afinal eu tinha acabado de sair do oftalmologista, mas eu vi muitas cores. Em um cenário, o céu parecia vermelho, rosa, e no outro um laranja tão forte que me senti obrigada a comunicar alguém, mesmo com as pupilas ainda dilatas, o que dificultava o envio de mensagens pelo celular. Verde, também. Verde, óbvio. Como que o céu - que é azul e todos concordam - poderia virar laranja sem passar pelo verde? Alguém pode me explicar?
Tudo isso aconteceu antes do café da tarde. Ainda tomei café da tarde, jantei e assisti O Grande Gatsby, mas só pensei no texto quando voltava para casa.
É um filme bonito. A moça era bonita. Minha nova chaleira elétrica é bonita. O céu estava bonito.
Mas não me leve tão a sério, eu ainda tenho a doença do gato.

volta ao mundo

Volta ao mundo Carvoeira norte

00:15

Tinha um macaco de pelúcia perdido no ônibus. Ele estava sentado, sozinho, no banco da janela. Olaf, que estava comigo, ficou horrorizado. Bem que ele tem razão, ninguém gosta de estar perdido. Eu posso te mandar a minha localização, mas ainda não sei onde posso comer algo quente nessa hora do meu pensamento. Faz tanto tempo que tá escuro que eu achei que era mais tarde. E tá frio, até pro Olaf. Juro que é ele quem insiste pra ter conchinha toda noite. Tá frio pra perder bonecos de pelúcia no ônibus. Tá frio demais pra não se apaixonar. Cai a chuva e molha o meu amor, já diziam Sandy e Júnior na playlist pra não chorar que eu criei. Estou perdendo artigos e pronomes possessivos nesse trajeto do ônibus, que vai do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Sabe, achei que tinha algo nas minhas costas. De tanto coçar, encontrei algo: as marcas dos arranhões que eu mesma fiz. Faz tanto tempo que tá escuro que eu já deveria estar dormindo, mas todos concordamos que um macaco de pelúcia perdido no ônibus não é assunto para desperdiçar. Por um momento, pensei até que era uma pegadinha.

Espera aí que tem algo estranho.
Excusez-moi.
Pardon.
Merci.
Ela recuperou o seu macaco de pelúcia e eu não me senti mais tão maluca por andar com um Olaf pela cidade. Que bom que o macaco não vai dormir sozinho. Eu também não.

Uma paródia pra vocês

22:42

Não adianta chegar, ficar de cara feia, porque eu já tinha o blog antes de te namorar.
Se você me ama, segura a sua onda. Participa, não critica ou tenta interpretar.
É assim que é. É assim que tem que ser. Ficar pensando em texto até o amanhecer.
É assim que é. É assim que tem que ser. Segunda a segunda eu vou escrever.

Esse vinho. Esse vinho me pegou.

Baseado em pagodes parisienses. A batucada te pegou.

02/11

21:50

já era até esperado
que eu fizesse um textinho rimado
sobre o nosso amor inusitado
simples e nada rebuscado
logo no dia de finados

volta ao mundo

Volta ao mundo Carvoeira leste

21:42

angústia
estresse
masoquismo
impaciência

auto conhecimento
cheio de dúvidas
amigos e viagens
brigas e vontades

amor
poesia
frio
machucado

lembra de mim?
cicatriz
trauma
guerra

querer ser importante
tentar ser diferente
único
depois encontrar semelhantes

depois paz
valsa
calma
esmalte

depois band aid
saudade
mãe
e lembranças

(depois fotos sem rimas
poemas embaçados
escrever é minha maneira
de te fotografar

depois 5 da manhã
me desculpa
depois primavera
e depois cura)