poesia

direito legítimo de amar

18:28

família
sou bi
isso mesmo
bissexual

se deixar
sou até bilinear
e bivalente
não tô doente
não tô precipitada
mãe, não quero ficar calada
eu não quero ser censurada
só porque tenho amor demais
olha o que o povo faz
me bate
me cala
me mata
mas agora eu virei chata
agora eu vou falar
pode me julgar
pode me bater
pode me matar
a minha luta não vai morrer
escuta bem o que eu digo
tem mais gente comigo
e o nosso pedido
não é complicado
e nem é pecado
podem acreditar
se existir um deus
ele há de concordar
que a gente tem direito
de expressar o nosso amor
de andar junto, sem pudor
de casar, se assim for
podem acreditar
se existir um deus
ele há de concordar
vocês não podem negar
que a gente tem direito
legítimo de amar.

Tretas incuráveis

17:18

Eu estou controlada. Relaxa, porque eu ainda estou de boa. Mas o meu pensamento já cai em você quando escuto músicas românticas. E eu rio. Tem nuvem escura no céu. Vai chover.
Não se preocupa, porque quando eu vejo os corações nos buracos da calçada, eu ainda tento me controlar. Para de sorrir, menina. Você tá vendo corações onde eles não existem. Isso não vai prestar. Eu sempre digo, mas eu nunca escuto.
Tem nuvem escura no céu e o meu guarda-chuva tá na bolsa. O sexo tem que ser seguro, mas ainda não inventaram proteção pra foder corações. E daí eu vou te culpar por qualquer coisa que você me passar.
E eu imagino que você tenha umas tretas incuráveis pra me passar.

Como aquela flor de plástico que você me deu, ou aquela de papel crepon que você pegou pra mim. Por que diabos me dar uma flor que não morre?! Você sabe que eu nunca vou ter coragem de jogá-la fora. Quem sabe eu passei um pouco disso pra você também. Não me cospe da sua vida assim. Não me esquece.
Todas as horas em vão que a gente passou. Todas as besteiras que a gente comeu. Todos os filmes que a gente viu. Todo o álcool que a gente bebeu.
A sua mãe, cara. Manda um abraço pra ela, sério. Os seus amigos. Diz, por favor, que eu não sou uma vaca, tá?
Todos os fins de tarde que a gente passou juntos. Eu não vou lembrar de tudo, mas alguns detalhes vão ficar. Aquele dia que eu cantei. Aquele dia que você falou das minhas unhas. Aquela aula que eu matei pra ficar com você. Aquela piada horrível. Aquele dia que você cantou. Aquele primeiro toque que me deixou arrepiada. Aquela escada. Aquela blusa sua que eu gostava.
Todos os elogios que você me fez. Todos que eu te fiz. Todos os carinhos. Isso é AIDS pro coração. Não cura, não sara e vou passar para todos os próximos.

Toma cuidado. Eu tô me controlando, mas vários testes deram resultado positivo. Eu tenho várias doenças amorosamente transmissíveis que são incuráveis.
Te dou um conselho: corre ou arrisca. Vai na sorte mesmo.
Na verdade, acho bom que você me passe alguma treta incurável. Se não, do que eu vou lembrar?
Assim que a gente faz amor inseguro.
Assim que tem que ser.

Um brinde de kriptonita #3anosdeblog

16:38

Não só tem lugar pra você na minha cama. Você também dorme nela muito melhor do que eu. Sabe, poderia te mostrar o meu certificado de procrastinadora profissional, mas eu ainda não entreguei aqueles papéis, acredita? Só não atraso beijos, cortes de cabelo e textos. As coisas que me libertam. Mas essa procrastinação do sono não tá legal. Não é charme, não é inocente. O nome disso é insônia e o sobrenome é olheira.
Mas, eu sou aquela amiga que diz que ele ainda não te mandou mensagem porque tá tomando banho ou dormindo há 3 dias, então tento ajeitar o cabelo e pensar nas putarias que a vida faz.
Hoje, dia 22 de setembro é um dia muito especial. Hoje é aniversário de três anos do meu blog \todos comemoram. Queria mandar um beijo pros russos. Outro para as mulheres da minha vida.
Quero mandar um beijo pros exs e outro pros atuais haha brinks viu pai. Um beijos pras exs dos exs, pras atuais dos exs, pras exs dos atuais e pras atuais dos atuais #suruba! brinks de novo pai, relaxa.
Um beijo pra quem me viu trocar aquário por gêmeos e sagitário e continuar tomando no cu hihi
Um beijo pra quem me vê com cara de perdida e falando sozinha no mercado.
Um beijo pra quem já sabe que comigo tem verde no por do Sol, no nascer do Sol e outro pra quem ainda não sabe do meu daltonismo psicológico.
Um beijo pro Chitãozinho e outro pro Xororó. Um boa sorte pra quem vai me aguentar passar pelas próximas TPMs sem mãe e sem Negresco.
Um beijo pra quem manda comentário anônimo. Um beijo pra você que não tinha nada pra fazer no domingo e resolver ler um blog.
Um beijo pro Páris, um pro Menelau, um pro rei e outro pro cavalo, porque eu sou dessas.
Um beijo pro Leminski, que certamente não vai se importar se eu usar um textinho dele.

eu te fiz
agora

sou teu deus
poema

ajoelha
me
adora

Um beijo pra quem sabe que eu curto poemas, mas esse é só um textinho cheio de beijos, frases soltas e nenhuma rima.
Mas eu gosto.
Tem lugar pra ele no meu blog. Tem sim.

poesia

sobre helena poema

18:50

moleque tão lindo
esse jeito de falar
não sei se tem coragem
de por mim se apaixonar

de homem eu não entendo muito
eu não falo engenharia
não sei nada de jogos
só entendo de poesia

eu não entendo de fotografia
não sei nada de cinema
nem de tecnologia
eu só entendo de helena

pinto a boca de rosa e laranja
quando eu quero te beijar
e de vermelho
quando quero te conquistar

eu passo máscara nos cílios
pra você sentir quando eu piscar
pisca pisca pisca
tô querendo te alcançar

pinto as unhas coloridas
quando quero te agarrar
e até boto vestido
se você gostar

hoje no computador
a seguinte pergunta eu vi
deseja verificar e corrigir helena?
adivinha o que eu respondi

juro

Juro que não fui eu.

17:49

Você tem fogo? Eu nem fumo, mas vamos fazer uma pausa do tempo de um cigarro. Aceita alguma coisa? Um vinho? Um abraço? Uma pastilha pra garganta? Você quer dormir aqui? Não vai seguir o protocolo de se fazer de difícil? Reparou nas minhas estrias? Não reparei. É pra apagar a luz? Você quer? Eu não quero. Quer que eu coloque uma música? Melhor não. A gente não quer acordar ninguém, não é mesmo? Tem camisinha? Tenho. Você é muito bom nisso. Tem certeza que prefere a luz acesa? Tenho, mas apago se você quiser. Eu não quero. Muito calor aqui. Vou tirar esse vestido. Aquela parede parece vazia sem você. Se você não gostar de alguma coisa, você diz. Eu gosto disso. Eu também. Gosto dos nossos corpos e das nossas regras. Como vai ser depois? Hoje a gente tá tão encostado que a gente até se confunde. Mas depois, cada toque vai soltar uma faísca. Vai ser de 'quero mais' ou de desconforto? Não sei ué. Depois é depois. Agora é agora. Desligou o celular? Acho bom. Posso tomar banho aqui? Mas você trouxe escova de dente? Tem certeza que trancou a porta? A sua cama tem lugar pra mim? Posso abrir os braços? As pernas? Precisa de travesseiro ou você consegue dormir aqui no meu ombro? A gente fica junto, cada um vai pra um lado ou o que vier é lucro? De manhã a gente se beija? Pergunta se foi bom? Acho meio cafona. A minha mãe me ligou. Você quer um café? Não vai esquecer os seus óculos. Deixa que eu abro a porta pra você. Te acompanho por um pedaço do caminho. Me avisa quando chegar. Ah, vou ter que contar pra alguém. A gente se fala mais tarde?
Diz aí, a sua cama tem lugar pra nós dois? A minha tem.

Do avesso

18:38

De um lado da folha tá escrito "Por que não publicar poemas de amor?" e do outro "Topologie et analyse fonctionnelle - aula do dia 15/09". O professor fala português, quais são as chances? Enfim, em duas folhas de caderno eu misturei português e francês, bolas e poemas de amor. E faço pior, misturo roupa clara e escura pra lavar, ai se a minha mãe visse. Preciso de mural pra viver, e o meu mistura fotos, cartões postais, poemas de papel quadriculado e a frase "fico feliz por saber que criei duas almas livres", que escutei de um poeta quando descobriu que tinha as duas filhas bissexuais. Ah, e meus sonhos eróticos misturam meninos, meninas e Shakira. Eu misturo sentimentos. Na verdade meu cérebro é tão organizado quanto o meu quarto, que tem sutiã e grampo de cabelo jogado pra todo lado, mas eu gosto.
Misturo verde com laranja, azul e rosa. Misturo meu sorriso no seu e sua vida na minha. Misturo Chitãozinho e Xororó com Los Hermanos na mesma playlist.
Mas espera aí, a página com o título "Por que não publicar poemas de amor?" tá vazia. Não achei nenhum outro motivo que não fosse a comparação do poema com a walk of shame e a riqueza dos detalhes que um poema de amor? Sério, eu não valho nada mesmo. Inspirada na grazi, sou amor do fim ao começo. Por fora e do avesso.

poesia

por que publicar poemas de amor?

15:56

por que publicar poemas de amor?

porque o tempo passa
a gente esquece
chega o inverno
muda a Lua
se não for agora
no fresco
no ato
quando vai ser?
e se eu esquecer?
não me leve a mal
mas e se esfriar?
se virar banal
usual
trivial
tem que ser agora
tem que ser
vai que a gente não combina?
vai que eu perco você?
vai que depois dá raiva
e eu rasgo o pobre poema?
deixo que ele me ataque logo
sei que é legítima defesa
prefiro vê-lo escancarado
ao vê-lo morto em minha cabeça

por que não publicar poemas de amor?

esse fica na gaveta
um dia eu mostro
ou mato
quem sabe

poesia

Poema do papel quadriculado

19:16

Hoje eu tô linda
Pode me encontrar
Quem sabe o universo conspire
Pra gente se cruzar
Esbarra comigo no centro
Eu bem que ia gostar
Se a gente se ver
Não precisa nem encostar
Só diz oi
Ou só sorri
Tô treinando sorrisos de resposta
O dia inteiro
Descobre logo minha loucura
Cabelo, cheiro
Tamanho e doçura
A cor que escolhi hoje
Acho que me cai muito bem
A felicidade também
Não vem me chamar de apressada
Você que perdeu o trem
Eu sou poesia
Meu bem
Se eu não me apaixonar
Não sou nada nem ninguém
Se o poema já tá aqui
Cadê você, que não vem?

Rappelle-toi,

20:16

Preciso confessar. A primeira noite foi foda.
Sem família, sem amigos e sem internet. De repente a menina do interior tava em Brest sozinha, desolée.
Segundo Coldplay, every teardrop is a waterfall. Eu vou dizer, para efeitos de poesia, que cada lágrima é uma chuva. Et, rappelle-toi, Helena, il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là.
Só me mantinha no sonho de menina, na calma enterrada e na poesia.
Frejat me desejou que, quando eu ficasse triste, que fosse por um dia e não um ano inteiro. Pois é, acho bom, porque tenho um ano inteiro pela frente aqui, Frejat. Já a Amy me lembrou que my tears dry on their own, ou - se me permitem - my waterfalls dry on their own.

Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu sourriais
Et moi je souriais de même

Minha professora nem poderia imaginar que a Siam me traria uma alegria tão grande. Era a única coisa que eu sabia sobre essa cidade! Rappelle-toi Barbara. Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là.
Guardei pela sonoridade. Guardei porque queria aprender. Guardei porque era poesia misturada com sonho e guerra.
Então, Barbara, vou logo me apresentar para que você não tenha que me fazer nenhuma pergunta constrangedora. Meu nome é Helena, mas pode chamar de Carol. Libra com ascendente escorpião. Eu gosto de meninos e meninas, do Coldplay, da Amy e do Frejat. Francês tarado não tem vez avec moi. Eu vejo verde no por do Sol e se você me disser que não tem, nunca vai conseguir me entender. Aliás, sem uma pitada de sensibilidade do outro lado do rio, você não vai me entender. Ah, e entender é diferente de interpretar. Tenho um blog, adoro escrever, mas não tente me interpretar. Tô numa nova cidade, num novo país e num novo continente, então me dá um desconto, s'il te plaît. Todo mundo fala tu sem medo.

Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas

Esse fica sem fim. Porque tá bem longe do fim, anyway.

Poema que a prof trouxe para a gente aprender o passado que fala de Brest: http://alain.liscoet.pagesperso-orange.fr/barbara.htm