poesia

O rei afogado.

23:36

Inundei a sala com lágrimas,
e meu rei afogado é você.

Tecnicamente,
é um empate.
Ainda assim,
eu sinto que perdi.

Fiquei procurando um complemento para esse texto antes de gostar dele assim mesmo.

O casamento da minha melhor amiga.

00:30

Minha melhor amiga vai casar. Minha irmã vai se formar. Eu, sinceramente, espero não estar aqui para nenhum destes eventos. Eu seria madrinha do casamento. Fui designada para esta função porque minha melhor amiga conheceu o meu primo aqui em casa. Uma sonhadora e um galinha. Era isso mesmo, falo sem vergonha nenhuma. Apaixonaram-se em algum momento da história e deu certo. No começo eu era contra, achava que era cedo pra ela namorar, que podia dar errado se amarrar no primeiro amor e blá blá blá. Mas só de vê-la feliz com ele, percebo que vale a pena.
Falando em primeiro amor, minha irmã vai se formar no terceirão. Como é de conhecimento geral, eu escrevo muito sobre amor. E tudo começou no primeiro, que foi agarrado numa formatura bem parecida com a que a minha irmã vai ter. Mas o sonho não era esse.
Agora a passagem está comprada e o destino é, de fato, um sonho de adolescente. Uma cidade, uma luz, uma torre, um arco e uma nossa senhora. Um rio, uma ponte cheia de cadeados. Um muro onde está escrito 'eu te amo' em várias línguas. Já vi tudo isso com imaginação e google earth.
Já me vejo chegando lá também. Eu vejo um mundo pequeno cheio de cidades grandes. Eu vejo um aeroporto enorme, agitado, e uma menina pequena e calma que não sabe nada. Minha melhor amiga tá de casamento marcado e eu ainda nem sei se gosto mais de homens ou de mulheres. Não sei se acredito no amor. Não sei se já me apaixonei, mas eu acho que sim.
Não sei o que vou fazer com a saudade, mas espero que tudo vire texto.

O dia em que a Rita descobriu que o nome da Carol é Helena

00:56

Se você olhar bem,

vai ver que eu tenho um traço no nariz.
Vou mentir que fiz plástica, 
mas, como você vai descobrir, 
eu não minto muito bem. 

Se você me adicionar no facebook, 
pode logo ficar sabendo que eu gosto de escrever. 
Vai descobrir que minha família me chama de Carol. 
E eu vou falar da Rita.

Se você pegar na minha mão, 
vai sentir uma verruga. 
Se olhar a minha perna, 
vai ver uma cicatriz. 

Se chegar a tirar a minha blusa, 
vai descobrir que eu tenho umas manchinhas na barriga e nas costas. 
Vai poder ver como a minha coluna é torta. 
Mas nada que me faça querer apagar a luz.

Se a gente conversar bastante, 
você vai descobrir que eu sou indecisa. 
Não tenho medo de mudar de opinião, 
mas não gosto de gente estilo ~tanto faz~.  

Não tenho potencial para conflitos 
e gosto de fofoca.

Se a conversa ficar sentimental, 
você vai perceber que eu não guardo rancor dos exs, 
mas desejo a todos eles vida longa. 

Vai descobrir que sou funkeira, pagodeira e sertaneja. 
Isso sem falar que sou comuna 
e feminista 
com todas as letras.

Você pode descobrir que eu sou medrosa. 
Gosto de atenção. 
Desejo ser algo novo. 
Algo que te cative. 

O complemento ortogonal de tudo o que já existe no mundo.

Se perguntar,
vai descobrir que estou sempre apaixonada. 
E nem sei negar.

Se você olhar bem, 
vai ver que eu tenho um traço no nariz. 
Se olhar ainda mais, 
vai ver que adoro o meu nariz com traço.