Sobre Leninha

01:13

Helena, manda um beijo pro Maneco. Nosso querido Manoel Carlos fez mais uma novela em que a protagonista se chama Helena. O Maneco gosta do nome e da história da Helena de Tróia, e eu não tenho nada a ver com isso. Mas, porra, Maneco, por que fazer com que os outros personagens a chamem de 'Leninha' ou 'Lelê'? Nada contra os apelidos, mas como você gosta do nome e é o autor da novela, aproveita e deixa esse roteiro cheio de 'Helena'. Agora sim com opinião, o nome é bonito, é sonoro e é forte.
Porque né, eu sei bem, quando falam em Helena, logo lembram de Tróia. O rosto que lançou ao mar mil navios, a mulher mais bonita do mundo e aquela coisa toda. Preciso confessar, essa história ajuda muito a levantar a autoestima de qualquer Helena, mas existem várias versões para ela. Deuses, oráculos e promessas fazem parte delas. Podem dizer que Helena não teve culpa, que foi um destino transcendente que ela teve que cumprir, ou podem dizer que ela escolheu, que era uma puta ou que se apaixonou. Ou as duas coisas, quem sabe? Raptada ou levada. Eu gosto de todas as versões.
Já me disseram que eu me acho por me chamar Helena. E eu acho que me acho mesmo. Me acho porque me perco. No caminho entre Floripa e Jaraguá, irmã e amiga, libra e escorpião, louca e louquíssima, eu me perco. Me achei um pouco quando cortei o cabelo. Me achei linda e, depois de anos, com cacife para assumir o cabelo cacheado. Me acho também pelo cabelo, que de vez em quando ganha um elogio. Me acho com meus olhos e com meus sorrisos, que escancaram o meu ascendente em escorpião. O signo do amor e o ascendente no signo do sexo. É pra pirar mesmo. Uma vez eu li que librianos têm essa terrível mania de tentar conquistar todo mundo e depois não saber o que fazer com as vítimas. Talvez isso seja coisa de libra, mas também pode ser coisa de Helena. Eu me acho com o blog, sim, que tem 10 mil visualizações. Não é muito, mas já é legal.
Achei mais um pedaço de Helena hoje, quando esse texto estava nascendo na minha cabeça. Pensando sobre meu próximo corte de cabelo e sobre esse negócio de se assumir. Faltava eu assumir alguma coisa para mim mesma, e acho que descobri o que é. Eu, Helena, assumo que só procuro um grande amor. Grande e intenso, mas livre de guerras. Mas livre, sobretudo.

poesia

Estágio I da depressão

23:19

como que querem que eu aprenda
se a sala não tem porta?
eu não tenho livro
carteira
cadeira
eu não tenho educação

querem que eu aprenda
a tirar raiz quadrada da fração
tudo bem
tudo o que eu tenho é fração
uma fração menor do que um
fração do que é necessário
fração da porta

mas me jogam os conteúdos
como se fossem pedras
hipotenusa cateto cateto
delta menor do que zero
número é coisa complexa

querem me ensinar
um tal de logaritmo
que nunca vi mais gordo
tenho que aprender
pro vestibular

eles ficam me testando
botando medo
pra ver se eu sei mesmo
eu não sei
aprendi pra prova
e nem lembro mais
da fórmula a área

na dúvida
e na esperança
fui fazer licenciatura
olha mãe
palavras pomposas
descontextualização
e paradigma

não passei fome pra estudar
tinha mochila bonita
caneta colorida
mas já me disseram
que o poeta não mente
a dor de um poeta
é a dor de tanta gente

tem um buraco
do tamanho do buraco da porta
que nem os cálculos
nem as ciências sem fronteiras
e tampouco as metodologias
vão preencher

despertador toca
pego o ônibus
hipotenusa cateto cateto
poema exato
boa aula

Suspeitos demais

00:15

Comprar a poltrona 35 do ônibus para viajar amanhã. Sentar ao lado do meu amigo. Pegar o UFSC semi-direto ou o volta ao mundo Carvoeira norte. Ou sul. Eu sempre confundo. Passei em geometria, mas não sei me localizar. Quero ir para a França, mas para lhe ser franco, eu nem sei onde fica Miami. Fica para lá de Arariúna, não é mesmo? Pelo menos, foi isso que perguntaram para o Alessanderson, em Pé na Cova, que eu só estava assistindo porque estava pintando a unha. De azul, que está na moda, segundo minhas amigas.
E por falar em Arariúna: Ai que saudade que eu tenho lá do Pará, das coisas boas que só tem por lá.
Como que deu tão certo eu passar por você bem no exato momento em que você não estava olhando. Foi proposital? Pode falar, mas não sei ainda qual seria minha reação. Por falar em reação, e a química, rolou? Acho que uma hora e meia já está bom para o banho-maria, não está? O miojo fica pronto em cinco minutos, veja bem. Mas quando não rola, acho que não rola mesmo.
Mamãe já está fazendo 44, eu vou fazer 20 e a Naná tem 17. É isso, né? Dezessete, Naná! E eu, que usei aparelho por 10 anos, só pra poder sorrir. Já posso sorrir, mesmo?
Cheguei a te contar que a música 22 da Taylor Swift é muito mais legal do que a da Lily Allen? Lily é diva, ok, mas nessa música ela reclama demais. Sério, Lily, coloca um módulo aí na sua vida pra ficar sempre positiva.
Quem foi? É bem o teu tipinho, mesmo. Mas deixa, fica aqui no módulo comigo. Deixa rolar até chegarmos a suspeitar desse destino. Desse destino capeta que o oráculo mandou. Mandou uma pinta no pescoço, uma situação-problema e uma nova piada do Pinho. Mandou um cheiro bom e um sonho estranho. Será que Deus decidiu tudo isso no sexto dia?
Antes ou depois de decidir a probabilidade de uma caixa de fósforos cair em pé?